Esta falta de habilidade geral anda a preocupar gravemente a Ministra da Educação, que propõe agora instituir (a ver se estimula a habilidade, que é tão tímida) um prémio monetário de quinhentos euros que será entregue ao melhor aluno de cada escola, no final do Secundário. Escandalizou-se meio mundo com a notícia, incapaz de compreender que nenhum aluno se vai esforçar por tirar melhores notas na pauta para ter notas na carteira. Algumas notas soltas sobre o assunto. Temem os sociólogos, os psicólogos e outros –ólogos que esta medida fomente uma competitividade pouco saudável entre os alunos, mas isso revela um desconhecimento profundo da alma portuguesa. O português, efectivamente, tudo faz para ganhar mais uns tostões, desde que isso não implique trabalho. Exemplo: são vários os prémios de mérito nas universidades (com recompensas monetárias bem superiores a 500€); isso, porém, não trava a altíssima taxa de reprovações. Se a Ministra pretende reduzir o insucesso escolar, e é isso que pretende (engraçado que este mesmo verbo, em inglês, signifique fingir), escolheu o método errado. Quem tira boas notas (falamos aqui das notas de topo, claro) fá-lo, na maioria dos casos, como resultado de uma cultura de excelência inculcada cedo na criança pelos pais (não pelo país – um acento faz toda a diferença entre a verdade e a mentira) e, paralelamente, por um imperativo pessoal, outrora chamado brio. Excluem-se destas considerações os alunos de medicina.
Esses, empurrados por um sistema errado, são forçados a competiram estupidamente entre si, eliminando-se mutuamente por questões de centésimas. É por isso uma autêntica revolução o que o reitor da Universidade do Algarve veio anunciar no início do mês em relação ao novíssimo curso de medicina da sua universidade, que abrirá para o ano. Serão tidos em conta na admissão dos candidatos, como critérios verdadeiramente relevantes, a “atitude humana” ou a “experiência de vida com pessoas vulneráveis”. Enfim se entende que um médico tem de ser tão profissional quanto pessoa: só gostamos do Dr. House na televisão. Uma razão para não nos maldizermos: estamos a ganhar juízo, e em grandes quantidades (esperamos agora que isso não cause nenhuma indigestão). Nota importante, todavia: quem está a preparar o curso é um estrangeirado (outro que teve de partir), catedrático no King’s College, em Londres.
P.S.: O malabarista “com tanta habilidade” era alemão.








